An elephant in the room * O Elefante que não está na sala

Terminou o 2º fórum Belt and Road 2019 e será impossível contornar a notada ausência dos EUA, tendo em conta a dimensão e ser o mais ambicioso projeto de investimentos em infraestruturas da Historia Mundial.

A iniciativa Belt and Road não é apenas uma ideia megalómana de comércio mas apresenta-se com um projeto que pretende alterar radicalmente quer a economia mundial, quer a influência política na Asia, Europa e Africa por parte da China.

A iniciativa contou com a presença de 150 Países, 37 altos representantes e mais de 5.000 delegados de todo o Mundo, excepto dos EUA.

Segundo Cui Tiankai (Embaixador da China nos EUA) “a iniciativa Belt and Road conecta o mercado mundial como nunca e a intenção dos EUA em se manter afastado não beneficia a América, os Americanos ou as suas empresas, pois a América está a perder oportunidades extraordinárias de crescimento e de ser a charneira do desenvolvimento Global.”

Não poderia estar mais de acordo, pois pelo que podemos ver até a Rússia já veio a terreiro pela voz do próprio Putin, “no que concerne às mais variadas formas de energia, a China pode contar com a parceria estratégica e óbvia da Rússia.”, “podemos também tirar partido das linhas ferroviárias trans-siberian e Baikal-Amur”. Putin aproveitou o fórum em contexto de segurança dos Países e disse que “estava dedicado a lutar contra os grupos terroristas e se existir algum ataque na Grã-Bretanha, a Rússia está na linha da frente para defender os interesses dos Ingleses”, nem esta afirmação é inocente …..

Nesta medida temos a Rússia a colocar-se na linha da frente de apoio ao projeto ao lado da China. Na Europa, segundo Cai Run (Embaixador da China em Portugal) “Portugal já é um parceiro endógeno”, Itália (país pertencente ao G7) já assinou o acordo com a China (22 Março 2019), na Grécia, quando todos lhes viraram as costas, a China foi em seu socorro e hoje, o maior porto Grego é, na realidade, controlado pela China. Existem outros exemplos como a Jamaica, o Montenegro e o Uganda que têm neste momento as suas primeiras autoestradas construídas com o apoio da iniciativa Belt and Road, prontas para servir os novos fluxos logísticos.

Neste contexto EUA estão na verdade a fazer uma tremenda birra, característica do Sr. Trump, e correm o risco de verem a Eurásia intitular-se a maior economia de mercado do Mundo, e a acontecer, é possível que o dólar, a moeda de referência do Mundo financeiro, deixe de o ser, porque a história mundial já nos mostrou que, muitas vezes, o improvável pode acontecer.

Os EUA podem não achar importante a participação neste projeto, contudo não pode ser ignorada a influência da China nos Países envolvidos, a médio e a longo prazo. Seria bom para o equilíbrio de forças, que a China – Rússia – Europa – India e EUA estivessem envolvidos neste projeto.

Espero que os EUA, ao não estarem a linha da frente deste projeto, não concluam que a solução, daqui a algum tempo, seja uma guerra, como fazem sempre.

“Keep your friends close and your enemies closer”.

Henrique Cardador

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Shenzhen - Inteligência Artificial do Oriente