O Islão Chinês

A iniciativa one belt one road obriga ao forte compromisso entre estados para o desenvolvimento e construção de infraestruturas.

Foi terminada a construção de uma estrada de 392 Km que liga Sukkur – Multan, esta estrada será conhecida no Paquistão como M5. A obra foi concretizada em parte por empresas Chinesas, por exemplo, a China State Construction Engineering Corporation (CSCEC) e foi terminada 2 semana antes do prazo contratualizado. Esta estrada simboliza a capacidade da China na execução das obras sob a sua alçada e controlo sem derrapagens nas balizas temporais, nem nos orçamentos.

Esta construção está integrada no Projeto China-Pakistan Economic Corridor (CPEC assinado em Abril de 2015) que, por sua vez, será parte integrante da iniciativa one belt one road, no decorrer da inauguração o Diretor Geral Muhammad Naseem Arif, afirmou o seguinte: “foi fantástico ver os processo e o progresso da obra, uma vez que existiram inúmeros desafios”. No mesmo sentido, Li Ganchun, responsável do projecto M5 da CSCEC disse: “esta obra trará desenvolvimento para a região, em concreto para o interior do Paquistão”, e congratulou o Pais pelo sucesso do trabalho desenvolvido pelas forças de segurança no território Paquistanês.

O sucesso do trabalho desenvolvido pelas forças de segurança nesta zona torna-se crucial neste corredor territorial marcado por ataques, por parte de grupos separatistas como “Baluch” em 2014 e 2016, tendo como alvos engenheiros chineses em obras no Paquistão.

Atualmente trabalham do Paquistão entre 40.000 a 70.000 engenheiros chineses.

O estado Paquistanês reforçou a segurança com 15.000 soldados na zona e, do lado chinês, a cautela securitária também é grande pois este corredor é o mais sensível da iniciativa one belt one road, uma vez que liga a província de XinJiang - Kashgar ao porto de Gwadar.

A China tem muitas razões para não abrir mão do território da provincia da XinJiang (Nova Fronteira), pois é uma província gigantesca, faz fronteira com vários países (Mongólia, Afeganistão, India, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Paquistão), é uma região rica em recursos naturais como sal, ouro, gaz natural e petróleo que representa 60% da economia da região, tem 24 milhões de habitantes 46% Uyghur, 40% Han e outros, a religião é o Islão.

Esta região tem mais afinidades com o Paquistão do que com a China, mas a disputa territorial terminou no seculo XVIII. XinJiang tenta a sua independência constantemente, até mas questões mais simples como o fuso horário, esta região tem o fuso horário diferente da restante China, com menos 2 horas para as escolas, lojas e hospitais e mais duas horas para os transportes públicos.

Segundo Martin Jacques, jornalista britânico e autor do livor “When China Rules the World”, após o 9/11 o governo central Chinês identificou esta província como sendo um potencial problema para a segurança nacional Chinesa e dessa forma triplicou os sistemas de segurança na região.

Para o projeto one belt one road, a segurança e controle desta província é vital para garantir o sucesso da iniciativa, uma vez que 70% dos comboios para a Europa saem precisamente desta fronteira, por isso foi autorizada a construção de 7.000 esquadras em toda a região.

A China não se governa como os outros Países, fisicamente não é possível, a história e a cultura também não deixam.

Henrique Cardador

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