Hong Kong, made in China!


Hong Kong vive tempos conturbados e, para percebermos o que está a acontecer, temos de voltar atras no tempo.

Hong Kong vive, erradamente, agarrada a um estatuto de desenvolvimento e evolução, fruto de um contexto politico único e com uma baliza temporal entre 1970 e 1997.
Hoje em dia, os habitantes de Hong Kong pensam que a vida era muito melhor quando eram colónia Britânica e que essa herança lhes trouxe o desenvolvimento de hoje, mas o contexto politico de outrora, também mudou.

No inicio dos anos 70, Hong Kong servia de porta de entrada na China de pessoas, bens e negócios, muitos negócios. Hong Kong era considerado o front office de todas as empresas que pretendiam investir na China, estatuto do qual foi beneficiário, por 30 anos.

Neste período, Hong Kong chegou a representar 23% GDP da China, hoje representa apenas 3%. As razões para estes dados, estão intimamente ligadas com o facto de a China, segundo o Jornalista Britânico Martin Jacques, “ter assinado o acordo WTO em 2001, pois o acordo veio abrir a China, passo a passo, e hoje se um investidor precisar ir à China ele vai, não precisa de ir a Hong Kong para nada”.

Hong Kong não soube fazer o mesmo que Macau.


Os Ingleses não libertaram o povo de Hong Kong nem criaram a necessidade de serviços e/ou produtos, como os Portugueses fizeram em Macau antes de saírem do território. Hoje temos os Ingleses a falarem de eleições em Hong Kong com uma tomada de posição, por parte do Estado Britânico, que, segundo o Jornalista Britânico Martin Jacques, “é uma valente hipocrisia pois os Ingleses durante os 155 anos de colonização nunca colocaram essa possibilidade em cima da mesa”, só agora é que estão a falar abertamente nisso pela voz de Chis Patten (o último governador de Hong Kong) que diz que “o território deve procurar uma entrada para a democracia, quando o território já foi entregue à China.

É de fácil compreensão o estado emocional e o sentimento do povo de Hong Kong, pois o território não tem vestígios da cultura e intervenção chinesa, o território foi sempre governado como uma colónia e não existe uma verdadeira liderança politica, nem uma identificação com o Estado Chinês.
Até 2047 Hong Kong deverá integrar os direitos e deveres do Governo Central Chinês pois segundo Martin Jacques “Hong Kong deve deixar que o governo Chinês tome conta dos destinos da região para que esta possa avançar com uma nova administração, e uma economia diferente e eletrizante.” Poderá ser este o caminho, tendo como exemplo o que o governo central fez com a aldeia piscatória de ShenZhen (artigo anterior).

Hong Kong deverá olhar para a solução Macau e encontrar o seu caminho que deverá passar pela integração nos planos de desenvolvimento da China.

Henrique Cardador

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